quinta-feira, 29 de abril de 2010
Fatale
Ahh, pensou que poderia se livrar assim de mim, mas eu sou água que corre, sou o sangue que te estanca, sou a mão que balança o berço, e não me culpe por ser tão contínuo, pois em mim há uma linha que sempre pede mais, que vai levando, um linha muito fina, muito grossa, muito fatal e que nela você pode se equilibrar e fazer malabares para teu divino público, não era assim que costumava dizer? que faço de tudo um drama, um circo, pois agora entenda que você era o principal, a principal atração e eu te servia numa bandeja, sem zelos eu te jogava aos leões, te ofertava como minha mais nova descoberta, meu pano de guardar desejos, queria ver o público num êxtase, numa exposição sobre-humana, delirando, pedindo tudo, e eu querendo te levar numa viagem, sem pavor, sem pudores, e por fim meu último ato era deliberadamente te deixar escapar por toda essa lona-coração
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