Eu vim de lá longe, saturno ou urano, netuno ou plutão... eu vim de lá longe, acontece é que não sei não.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Ave sangria

Havia vermelho por todos os lados, escarlate, rubro, que ululante me culpava, deturpava, execrava e por consequência me despedaçava. Repito aquele verso transpassado, não há crimes no amor, tudo é zero à direita, vale até matar essa dor, e me castrar de todos os sentimentos possíveis, eunuco que sou, adeus sentidos que só fazem despedaçar, assim poder matar a ti, a mim e não sentir a culpa me aniquilar e me introduzir numa busca errante, eu não sou eu, eu não sou eu, eu grito, me rasgo, mas continuo sendo eu, ai como custa a gente querer ser errante, quero um eu, um outro eu, um eu-anti-amor, um eu anárquico que por excelência não caisse, não se debulhasse ao primeiro que diz "vem comigo, enfretaremos a vida, as pessoas, dilaceremos em um só." mentira, meu bem, a vida vai, a vida vem e o mar é revolto, o pau não sobe depois dos oitenta e a gente tem essas vontades de interligar um eu, com mais outro eu formando um nós, mas quero mesmo esse vermelho, vermelho sangue, vermelho vinho, vermelho você, vermelho eu, vermelho pasión, vermelho veia, vermelho seco, vermelho marte, vermelho galileu, vermelho tesão, vermelho calado, vermelho tomate, vermelho relutante, vermelho abundante, vermelho escândalo, vermelho rô rô, vermelho problema e por fim vermelho morte

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